quinta-feira, 22 de março de 2012

Formar como o Barcelona é só da boca para fora!!


Xavi, Messi e Iniesta: o Brasil não forma jogadores como eles

Por Pedro Venancio

20/03/2012 - 8h25

Desde que o Barcelona passou a ganhar encantar o mundo sob o comando de Pep Guardiola, Messi e vários jogadores revelados no clube tornou-se referência na formação de talentos para todo o mundo e no Brasil não é diferente. Volta e meia, algum profissional contratado por um clube brasileiro afirma na apresentação: “Nossa meta é formar como o Barcelona”. O último deles foi Renê Simões, quando chegou ao São Paulo. O objetivo é ousado e louvável, mas será que os clubes andam mesmo no caminho para formar jogadores como os blaugranas fazem no momento?

A resposta, segundo a maioria dos coordenadores e observadores da base brasileira, é não. “Não é possível implantarmos uma filosofia como a do Barcelona em um clube brasileiro porque não há continuidade na maioria dos trabalhos. Lá, demorou muitos anos para que essa filosofia fosse desenvolvida”, afirmou Marcelo Teixeira, gerente de futebol do Fluminense, que foi observador do Manchester United durante quatro anos e hoje atua na integração entre a base e o profissional do tricolor carioca. “O Fluminense não quer copiar o modelo de ninguém, e sim construir o seu, baseado no conhecimento das pessoas que trabalham aqui”.

Osmar Loss, técnico do time sub-23 do Internacional, aponta as diferenças no processo de formação. “No Barcelona, há uma continuidade, o jogador está lá desde menino, e praticamente não há captação. No Brasil, mudam os jogadores dos clubes a cada alteração de comissão técnica na base”, disse Loss, que afirmou acreditar não existir uma filosofia de formação no futebol brasileiro. “Até pelo tamanho do país, existem muitas formas de jogar. Um jogador nordestino é completamente diferente de um atleta nascido no Sul do país. A principal qualidade do brasileiro é o improviso, é isso o que os europeus buscam nos jogadores daqui”, observa, para depois elogiar a evolução tática dos treinadores que trabalham com formação. “Acho que crescemos muito nesse aspecto”.

Para o coordenador da base do Grêmio, Marco Antônio Biasotto, formar igual o Barcelona seria o ideal, mas alguns aspectos da cultura do futebol brasileiro dificultam esse processo. “É uma delícia ver o Barcelona jogar, e o ideal seria que todos os times atuassem daquele jeito, mas não é tão simples assim”, analisa. “No Brasil, é muito difícil começar com um time bom no infantil e seguir com ele até os profissionais, por vários fatores que vão desde o assédio que os garotos sofrem desde cedo até a falta de continuidade no trabalho das comissões”, opina, para depois complementar. “Muitas vezes, o trabalho de base de um clube é todo condicionado ao profissional, e aí quando o técnico do time de cima é demitido a base também sofre as consequências”.

Mais próximo da Alemanha?
A questão da ausência de continuidade explica parte da diferença entre o que se faz no Brasil e o que é feito no Barcelona, mas não responde tudo. Há também uma divergência de pensamento no que diz respeito à formação das equipes. Não é difícil encontrar entre profissionais envolvidos no futebol alguém que considere a posse de bola do Barcelona como “desproporcionalmente improdutiva”, afirmando que eles “não convertem em número de finalizações” o tempo de bola em que ficam com a bola no pé.

Mano Menezes é um exemplo de técnico que não vê no Barcelona o modelo ideal de jogo. Já declarou algumas vezes que é fã da verticalidade que a Alemanha mostrou na Copa do Mundo, e o perfil da seleção que ele montou mostra isso. Um exemplo é a escolha do 4-2-3-1 como esquema tático e, mais do que isso, o perfil dos volantes convocados com mais frequência. Fernandinho e Ramires são jogadores mais verticais, mais parecidos com Bastian Schweinsteiger (na verticalidade) do que com Xavi, que normalmente é o segundo homem de meio-campo do Barcelona.

Para Marcelo Vilhena, técnico do time sub-15 do Cruzeiro, há uma explicação para essa opção. “Há treinadores que gostam desse estilo de jogo mais agudo, mais vertical, é mais fácil de ser implantado do que o do Barcelona, que privilegia a progressão em passes curtos e é mais perigoso, principalmente na base”, diz o técnico, que vê a possibilidade de um “meio termo” como algo próximo do ideal. “Podemos alternar os dois jogos, mas fundamentalmente precisamos resgatar a essência do futebol brasileiro, que reúne qualidade técnica, criatividade, e um jogo mais solto, mas logicamente dentro de um mínimo de conceitos”, completa.

Tamanho é documento?
Outra característica marcante da formação de jogadores do Barcelona é a pouca preocupação com a força física e a estatura dos jogadores. Messi, Xavi, Pedro e Iniesta beiram, os quatro, os 1,70m. Entre os 52 jogadores convocados por Mano Menezes para a pré-lista olímpica, apenas três estão nessa faixa de altura: Bernard, do Atlético Mineiro (1,62m), Wellington Nem, do Fluminense (1,67m) e Fagner, do Vasco (1,68m). Os três certamente enfrentaram muitos preconceitos dentro de seus clubes, pois, mesmo entre os que defendem o talento como prioridade na avaliação, há os que duvidam da possibilidade dos baixinhos vingarem no esporte. Em qualquer torneio sub-20 ou sub-17, é frequente o comentário de que “fulano é bom, mas muito franzino e isso pode atrapalhar no profissional”.

Ainda assim, já é possível enxergar sinais de mudança. Na mesma lista, figuram nomes como Neymar, Oscar e Lucas, todos jogadores leves, que atuam em velocidade, e com menos de 1,80m, altura que parecia ser pré-requisito para ser titular na seleção comandada por Dunga que foi à Copa do Mundo de 2010. Na oportunidade, Elano, com 1,75m, era o mais baixo do onze inicial, e apenas ele e Michel Bastos tinham menos de 1,80m. No grupo, Daniel Alves (1,73m), Josué (1,68m) e Kléberson (1,75m) completavam a lista dos “anõezinhos” convocados. A força física perdeu espaço para a velocidade e a técnica, mas a filosofia de jogo vertical e mais incisivo ainda impera, e certamente é com essa convicção que Mano Menezes tentará recolocar a seleção no topo do mundo em 2014, se sobreviver no cargo até lá.

Fonte: Site trivela

4 comentários:

brunin atleticano disse...

pode ser complicado manter o jogador no clube por causa do assédio dos grandes e ricos clubes europeus, mas formar só precisa d boa vontade né. do jeito q ta ja conseguimos grandes revelações ai, como os recentes neymar, ganso, oscar... acho q a filosofia tem q vir do clube e nao do treinador. o cruzeiro por exemplo tem até escola (se não me engano faculdade) dentro do clube, assim o atleta jovem pode estudar e praticaar seu esporte, mesmo que não de certo na carreira de futebol ele não terá desperdiçado tempo. como o Barcelona diz formar cidadãos.

brunin atleticano disse...

cara, só esqueci d falar do mano.. quanto tempo ele ainda vai ficar? ainda tem o problema do interesse.. tem interesse de patrocinadores, empresários.. nem da pra saber o quanto o mano é ruim, as vezes nem é ele que escala a seleção..

Jorge Ramiro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jorge Ramiro disse...

Barcelona ganha sempre porque tem que Dani Alves. Ele é o melhor jogador do mundo. E melhor que Maradona, é melhor que Pele, é melhor que Messi. O outro dia eu vi a Dani em um dos restaurantes em barueri. ídolo.